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Do Muricybol à resistência de defensores do futebol obsoleto como um 3 em 1

Mauro Cezar Pereira

23/12/2019 08h00

Aparelho 3 em 1 dos anos 1980 – Reprodução

Há, todos sabem, inúmeras maneiras de se jogar futebol. Ofensivo, defensivo, no contra-ataque, agredindo sem medo, se entrincheirando lá atrás como se não houvesse opção. Em alguns casos realmente não há, pois o oponente é tão superior que não lhe deixa alternativa.

O grande problema (em campo) do futebol no Brasil tem sido justamente a esquálida diversidade na maneira de se jogar bola. Neste século foi abraçado o jogo pragmático, às vezes tosco, apoiado em lançamentos, chutões, bolas paradas e fechado, deixando o mais talentoso do time livre para tirar coelhos da cartola. Os tais times "sólidos".

Mas nem tudo que é sólido pode ser visto como bom. O ápice dessa coisa modorrenta foi o período de domínio do São Paulo de Muricy Ramalho. Eram times que atuavam superprotegidos (goleiro, mais três zagueiros e dois volantes) lá atrás. E confiavam o ataque à competência de um bom cruzador para faltas e escanteios, um eficaz batedor de tiros diretos e paciência.

Sim, paciência para ganhar no cansaço do adversário que batia no muro que formava sua retaguarda e, quando menos esperava, era vazado com as armas de sempre. Eficiente e legítimo? Óbvio. Pobre e sem futuro, também. Esse estilo paupérrimo imperou por alguns anos, exaltado por boa parte da mídia, adepta feroz do resultadismo e nem aí para a qualidade do futebol apresentado.

Uma variação desse que ficou conhecido como "Muricybol" ainda rendeu taças ao "Cucabol" em 2016, às retrancas convictas de Mano (sem repertório) Menezes em 2017 e 2018, e ao venho estilo Felipão, também no ano passado. O futebol jogado no Brasil caiu de qualidade e a maioria de nós aceitou isso passivamente.

Os Jorges Jesus e Sampaoli mexeram com essa maldita acomodação em 2019. E no duelo contra o melhor time do mundo, entre erros e acertos inerentes ao próprio trabalho, o português mostrou a coragem que há muito não se via.

Fez seu Flamengo jogar contra o Liverpool sem medo, desejando e ficando com a bola, mas esbarrando nas próprias deficiências de quem desenvolve uma equipe há cinco meses ante um Jürgen Klopp que se aproxima de cinco anos no campeão europeu.

A vitória do time inglês em Doha foi justa, como o blog registrou após o 1 a 0 na prorrogação. Embora tenha sido uma partida muito elogiável do time carioca, bairristas e torcedores incapazes de entender o jogo fazem questão de distorcer os fatos para defender toda essa obsolescência que ainda está por aí. Querem os mesmos. Se merecem.

Entre cobrar seus clubes para que trabalhem até que, um dia, joguem mais e melhor, defendem a permanência do futebol nas trevas do jogo mal praticado, enquanto lá fora ele evolui. Um cenário que mescla o invejoso, o caça-clique e o espírito de porco.

Reunindo tais características, em alguns casos, há quem some tudo isso, numa espécie de 3 em 1. Como aquele aparelho antigo que reunia toca-discos (de vinil), toca-fitas/gravador (cassete) e rádio (AM/FM). Um equipamento antigo e superado como o pífio futebol ao qual essa gente tenta nos manter amarrados. Só Jesus, e caras como ele, salvam.

 

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

Mauro Cezar Pereira