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Mortes no CT: Fla deveria acelerar acordo e justiça achar os responsáveis

Mauro Cezar Pereira

06/12/2019 17h23

Por determinação da justiça, em caráter liminar, o Flamengo deverá pagar pensão mensal de R$ 10 mil para cada família dos meninos mortos no incêndio de 8 de fevereiro, no Centro de Treinamentos do Clube. Mas o clube recorrerá. O blog apurou que o fará por ser um direito constitucionalmente assegurado para aprimorar ou corrigir decisões de primeira instância. O entendimento é de que existem equívocos, como a alegação de que o Flamengo não presta qualquer assistência. Fontes asseguram que são pagos mensalmente R$ 5 mil, entre outros cuidados que estariam sendo prestados desde a tragédia.

Do ponto de vista jurídico e institucional, não surpreende que, ao sentir-se atingido por eventuais informações que não correspondam à realidade, os dirigentes tenham tal reação. Mas acima dos aspectos discutidos por advogados e afins, poderia estar a questão humanitária. Incomoda saber que o Flamengo vem faturando cada vez mais, não só títulos, como dinheiro, e que o imbróglio envolvendo as famílias das vítimas persiste há tanto tempo. Por mais que alguém possa ter reivindicado cifras mais elevadas do que aponta a chamada jurisprudência, é óbvio que a tragédia do Ninho do Urubu foi algo sem precedentes. Afinal, os garotos estavam sob a guarda do clube, e morreram daquela maneira!

Essa decisão da justiça deveria ser o ponto de partida para uma retomada mais ágil e objetiva nas negociações com as famílias que não fizeram acordo até hoje. Se lá atras não houve consenso quando o assunto era conduzido com a presença do Ministério Público, as partes podem estar diante de uma nova oportunidade para que rumem ao denominador comum. Dinheiro nenhum os trará de volta, mas poderá dar uma vida mais tranquila aos parentes próximos que sofrem diariamente sem os 10 meninos. Cabe a todos os envolvidos, inclusive advogados de familiares, procurar o melhor diálogo.

Paralelamente, causa espécie observar gente sórdida que se aproveita daquelas mortes para fazer provocações clubísticas. Como se os torcedores do Flamengo em sua totalidade apoiassem a extensão desse impasse que completará 10 meses no domingo. Como se algo tão terrível pudesse ser inserido em discussões babacas sobre quem ganhou, quem perdeu, quem é melhor, quem é pior. Na verdade o prosseguimento dessa indefinição machuca a todas as pessoas minimamente razoáveis, sensíveis, não importa o clube pelo qual torçam. Basta lembrar como eles morreram.

Que tal o Flamengo, ao invés de recorrer, acatar os R$ 10 mil mensais e sugerir uma nova proposta que possa levar à definição de um acordo? Ao mesmo tempo, por que a sociedade e os que usam a tragédia em discussões tolas de torcedor não cobram das autoridades que avancem nas investigações? Será que um dia elas conduzirão à identificação dos responsáveis pelo incêndio que matou dez adolescentes? Ou que apenas o dinheiro importa? É possível que ninguém tenha tido culpa? Ninguém se incomoda com a possibilidade de um ou mais responsáveis desfilarem por aí, impunes? Basta!

 

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

Blog do Mauro Cezar