Topo

Histórico

Categorias

Após tantos ataques dos técnicos corporativistas, Jesus chuta o balde. Boa!

Mauro Cezar Pereira

17/11/2019 20h17

O técnico Jorge Jesus, do Flamengo, na vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre – Foto: Divulgação/CRF

Jorge Jesus demonstrou em seus (exatos) 120 dias treinando o time do Flamengo uma paciência de monge tibetano. Não foram poucas as vezes nas quais treinadores e ex-jogadores brasileiros rechaçaram os elogios ao seu trabalho. Afirmaram que o profissional que o antecedeu no cargo faria igual se nele permanecesse e houve até quem ao português se referisse como alguém que "só entrega a camisa".

Após a vitória sobre o Grêmio, em Porto Alegre (1 a 0, gol de Gabigol de pênalti, mal marcado na opinião do blog), Jesus deixou de lado a diplomacia, abriu o verbo, disse o que era preciso, necessário em meio a tanta má vontade de tantos para com ele. "Sobre os meus colegas, vim para o Brasil, sou um treinador como eles. Não vim tirar lugar de ninguém, não vim ensinar a ninguém. Não sou melhor e nem pior do que nenhum".

Jesus foi além: "Queria lembrar aos meus colegas que em Portugal já trabalhou um brasileiro: o Scolari. Scolari é acarinhado pelos portugueses. Autuori, Renê Simões, Abel (Braga)… E muitos outros. Quando estiveram lá, tentamos aprender. Não havia essa agressividade verbal que há comigo. Não entendo essas mentes fechadas. Não me incomoda. Quero que meus colegas cresçam. Não sabem o que é globalização", disparou o treinador líder da Série A.

O atraso técnico-tático do futebol praticado no Brasil está direta e umbilicalmente ligado à mentalidade que impera entre boa parte dos treinadores. Raros têm coragem e mente aberta para encarar um desafio mais elevado, em nível técnico alto, contra quem vem de fora. ele não chegou com o intuito de ensinar, como deixou claro, profissionais locais. Mas na prática acabam por fazê-lo diante de tanta limitação.

"Tomara que com o passar do tempo, eu consiga ganhar a aceitação dos treinadores brasileiros", disse, em julho, Jorge Sampaoli, que à frente do Santos deu início a uma sacudida no mercado que Jesus tratou de agitar mais ainda. "Que de uma vez por todas tirem os fantasmas da cabeça", conclamou o português neste domingo. Difícil que sejam atendidos. Os treinadores fracos parecem cientes da própria limitação no que se propõem a fazer. 

Se em campo eles costumam praticamente só defender, ou quase isso, fora dele, acuados pela demonstração de superioridade desses estrangeiros, entre buscar conhecimento para igualar o cenário, finalmente atacam. Mas da maneira errada. Pois o caminho parece irreversível.

 

follow us on Twitter

follow me on youtube

follow me on facebook

follow us on instagram

follow me on google plus

 

Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

Blog do Mauro Cezar