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São Paulo já deverá ser outro após uma semana de treinos com Diniz

Mauro Cezar Pereira

30/09/2019 16h55

Fernando Diniz gesticula no treinamento do São Paulo na segunda-feira- Foto: Divulgação/SPFC

Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes comandaram a seleção brasileira entre as Copas de 2010 e 2014. Ambos fracassaram em seus clubes na atual temporada, um já substituiu o outro, mas o fato é que os dois se desgastaram com trabalhos fracos em 2019.

Oswaldo de Oliveira, no Fluminense; Cuca, pelo São Paulo; Zé Ricardo, no Fortaleza; e Rogério Ceni, no Cruzeiro, foram os técnicos que deixaram seus clubes, demitidos ou pedindo o boné, quase ao mesmo tempo entre quinta e sexta-feira. Vítimas ou vilões?

Generalizar é, obviamente, um erro, mas não são raros os treinadores que desvalorizam, cada vez mais, a velha argumentação segundo a qual é preciso dar tempo para que possam trabalhar. Por que o tempo passa e não se vê qualquer evolução.

Era o caso do São Paulo. Cuca assumiu em meio às finais do Campeonato Paulista, em abril, teve semanas livres para treinamentos desde que o time saiu da última competição de mata-mata, a Copa do Brasil, mas em campo jamais mostrava progressos.

Os são-paulinos tiveram 44 dias sem jogos em intervalo de 58, mais do que qualquer outra equipe da Série A. Primeiro pela paralisação do campeonato para a disputa da Copa América, depois pelo adiamento do duelo com o Athletico, que foi jogar no Japão.

Somando as noites de quarta e quinta-feira sem jogos a esses amplos períodos sem entrar em campo para partidas oficiais, os tricolores estiveram em condição única. Ninguém teve tanto tempo para treinamentos, para aprimoramento coletivo.

Foram, na prática, semanas desperdiçadas. O São Paulo pratica um futebol ruim, incompatível com a qualidade do elenco, que recebeu inúmeros reforços, como Daniel Alves, Juan Fran, Pato, Tchê Tchê, Vítor Bueno e outros.

O próprio Cuca fez uma espécie de mea culpa em sua entrevista de despedida. Parecia ciente de que não foi capaz de fazer funcionar o time. Não diria que é um vilão, afinal, sua intenção era boa. Mas também não dá para dizer que foi vítima.

Sem ele e com Fernando Diniz no comando, o time foi pragmático e atuou para não perder contra o Flamengo, no Maracanã. Compreensível pelo momento, insuficiente para o futuro imediato. O elenco é bom o bastante para fazer mais.

Pelota de pé em pé, pressão no campo oponente… Já foi assim na atividade desta segunda-feira, quando Diniz deu treino tático com prioridade à posse de bola, trocas rápidas de passes e, atenção, a saída de jogo!

Após uma semana, já deverá ser bem diferente do que se viu ante o Flamengo. Um time com características do novo treinador, sábado, contra o Fortaleza, no Pacaembu, quando o ídolo maior, Rogério Ceni, será adversário.

 

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

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