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Como Cuellar se tornou pivô de crise no Flamengo e foi do céu ao inferno

Mauro Cezar Pereira

24/08/2019 15h59

Cuellar em ação contra o Internacional pela Libertadores: pedido para não jogar – Foto: Divulgação/CRF

Inexplicavelmente reserva de Márcio Araújo até o segundo semestre de 2017, Gustavo Cuellar está no Flamengo desde 2016. Virou titular pelas mãos do compatriota Reinaldo Rueda e logo conquistou a torcida. Contudo, a instabilidade fora de campo era um contraste com a segurança e regularidade demonstradas dentro dele. Nas últimas semanas, o colombiano insistiu para deixar o clube e criou uma crise em meio aos importantíssimos jogos contra o Internacional pela Libertadores, além de compromissos pelo Campeonato Brasileiro, com os rubro-negros a dois pontos do líder, Santos.

Cuellar chegou ao Brasil representado por um agente, teve outro, que renovou seu contrato antes da Copa do Mundo, estendendo-o até 2022 com multa de €70 milhões, mas em seguida fechou com um terceiro, que tenta há meses negociá-lo com o exterior dentro do compromisso por eles firmado, que vai até o primeiro dia de setembro. Nesse período, o volante deu entrevista falando sobre o sonho de jogar na Europa e, internamente, passou a sinalizar de maneira cada vez mais frequente seu desejo de ir embora do Flamengo, mesmo sendo adorado pelos torcedores.

Reserva na Copa América, não recebeu propostas sedutoras e, com a chegada de Jorge Jesus, de cara Cuellar começou mal ao demorar para se reapresentar após servir à seleção da Colômbia. Suas caraterísticas, além disso, não agradam completamente o português, já que, apesar de sua eficiência defensiva, não tem grande participação do meio para a frente. Nada que o impedisse de recuperar a posição, após uma passagem pelo banco de reservas. Mas na semana passada a situação começou a se complicar, justamente quando uma oferta do Al-Hilal, que por sinal não chegou por intermédio de seu atual empresário, estava prestes a ser aceita.

O time da Arábia Saudita acena com €8,5 milhões. Seriam €5,950 milhões para o Flamengo, detentor de 70% dos direitos, com os 30% restantes do Deportivo Cali, seu ex-clube, e 8% de tal percentual vinculados ao próprio atleta. O momento não é o melhor para o clube vendê-lo, mas a quantia é vista por muitos como o real valor de mercado de Cuellar, que tem multa mais de oito vezes maior como uma espécie de proteção do clube ante possível assédio de interessados. Contudo, pouco mais de uma semana antes de um desfecho que se desenhava favorável ao colombiano, as coisas se complicaram.

Na terça-feira ele pediu para não enfrentar o Internacional, no dia seguinte, pela Libertadores no Maracanã. Como resposta, ouviu que iria se concentrar e atuar. O fez e, depois da vitória rubro-negra por 2 a 0, pediu mais uma vez para não jogar neste domingo, em Fortaleza, diante do Ceará, e na próxima quarta, quando o time gaúcho receberá os rubro-negros no cotejo de volta pela competição internacional. Importante: o Flamengo não terá Willian Arão, suspenso pelos cartões amarelos, em Porto Alegre, o que torna a presença de Cuellar no Beira-Rio ainda mais importante.

Veio a nota oficial: "O Clube de Regatas do Flamengo informa que o atleta Gustavo Cuéllar alegou problemas pessoais e manifestou o desejo de não viajar para os próximos jogos.
A vice-presidência de futebol discorda do posicionamento do atleta, entende que não pode atendê-lo no momento e informa que o afastou por tempo indeterminado das atividades do departamento de futebol. A vice-presidência de futebol considera que a decisão mantém a concentração do Flamengo nos próximos jogos da temporada". Nos bastidores, a possibilidade de fechar negócio com os sauditas é considerada menos provável.

A preocupação flamenguista é o que poderão fazer outros atletas se o clube ceder às pressões de um jogador para que seja negociado por cifras bem inferiores à multa. Ainda mais em meio à temporada, com a janela internacional fechada para o Brasil, o que praticamente inviabiliza uma reposição à altura. A venda de Cuellar ao Al-Hilal não está descartada, mas hoje é menos provável do que há dois dias. Até o retorno do volante ao elenco é possível, embora difícil, mas não deverá ocorrer sem que ele peça nova chance e se desculpe com elenco e torcedores, principalmente.

A situação do colombiano pode ficar mais complicada ainda: "O Flamengo é o pior clube para você brigar ou se indispor, pois está fortíssimo financeiramente, politicamente e no departamento jurídico é muito forte, assessorado por um dos maiores, se não maior, escritório de direito desportivo do mundo. Perdia na justiça por falta de dinheiro. Hoje isso acaba refletindo e te queimando no mercado com uma ação equivocada. Os caras olham assim: 'Ih, aquele jogador fez picuinha no Flamengo com o empresário… Tá doido, imagina aqui o que não vai encher o saco"', disse ao blog um agente que atua em negociações de atletas, internacionais inclusive.

Cuellar, que alega problemas pessoais para sair do Flamengo, pelo jeito conduziu tão mal a situação, que arrumou um imbróglio na vida profissional, além de perder boa parte da idolatria da torcida do clube que defende.

 

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

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