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Do "craque" que minimiza salário atrasado ao valente time do Figueirense

Mauro Cezar Pereira

21/08/2019 14h44

Jogadores do Cuiabá e equipe de arbitragem na Arena Pantanal: sem adversário – Reprodução TV

"Há casos de até 7 meses de atrasos. Mesmo assim, confiando na atual gestão do clube, foram feitos parcelamentos dos débitos anteriores, que deveriam serem pagos em 2019, e, infelizmente, também não estão sendo pagos. Já neste ano de 2019, os atrasos são reiterados. Já houve paralisação dos atletas em Julho, e apenas com promessas, voltamos a treinar e a jogar. Infelizmente os atrasos permanecem. São 3 meses de atrasos no pagamento dos Direitos de Imagem, que representam 40% da remuneração bruta de cada atleta, representando quase 65% da remuneração líquida. Há ainda falta do pagamento do Salário de Julho, e, ainda, há casos de mais de 7 meses sem depósitos do FGTS".

Acima, trecho da nota emitida pelos jogadores do Figueirense, que resolveram não entrar em campo para enfrentar o Cuiabá, na Arena Pantanal, pela 17ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Com o W.O. (sigla do termo inglês walkover, utilizada quando um dos competidores não comparece), o time matogrossense foi declarado vencedor por 3 a 0 e a equipe catarinense deverá ir a julgamento no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Ato de coragem de um grupo de jogadores cansado da má gestão e do não cumprimento das obrigações por parte do clube.

"Eu, como funcionário, está tudo em ordem aqui. Claro que os salários estão atrasados, mas me fala um clube que não atrasa. Começaram a bater nesse negócio de salário, mas é porque o Cruzeiro não atrasa. Aí quando atrasa, todo mundo bate. Mas eu estou feliz da vida, essas coisas não vão atrapalhar (…)", minimizou Thiago Neves, no começo de julho, quando questionado a respeito do não pagamento em dia aos atletas do Cruzeiro, que entre os times do país, em carteira de trabalho, tem a segunda maior folha de pagamento, atrás apenas do Palmeiras, segundo levantamento feito pelo jornalista Matheus Mandy. O camisa 10 é um dos mais badalados no elenco celeste.

A folha de pagamento do Figueirense é de R$ 540 mil na CLT, salário médio de R$ 15 mil mensais. A do Cruzeiro supera os R$ 7,4 milhões, fora direito de imagem, com média salarial em torno de R$ 231 mil. A realidade dos jogadores de futebol no país está muito mais próxima da vivida pelos que atuam no time catarinense. É daí para baixo. Valentes, merecem ser respeitados por todos os demais esses profissionais. Pena que ainda existam os que, em outra realidade financeira, minimizem a absurda rotina de não pagamento de salários em dia, algo absurdamente comum nos clubes do Brasil.

 

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

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