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Há 11 meses João Pedro era reserva Sub-17 no Flu. Virou camisa 9 e explodiu

Mauro Cezar Pereira

24/05/2019 16h17

João Pedro, 17 anos, comemorando gols contra o Atlético Nacional: também marcou contra Flamengo e Cruzeiro

João Pedro se transformou no assunto do momento no futebol brasileiro. Não por acaso, pois o atacante de 17 anos fez, pelo Fluminense, gol no Fla-Flu, empatou no último lance o jogo com o Cruzeiro pela Copa do Brasil, meteu mais dois no time mineiro pela Série A e fez outros três em intervalo de 30 minutos (além de dar uma assistência) na vitória sobre o Atlético Nacional pela Copa Sul-americana na noite de quinta-feira.

Como o jogador já está negociado desde o ano passado ao Watford, muitos que só agora o conhecem criticam o clube carioca por tê-lo vendido. Mas é preciso entender o contexto, o tamanho da crise finaceira tricolor e saber quem era João Pedro há menos de um ano, quando sequer atuava como centroavante e, naturalmente, não fazia tantos gols.

Primeiro vale explicar que a venda foi em outubro de 2018, 23 dias depois de ele completar 17 anos. Preço: €2,5 milhões, com multa de €20 milhões. Ou seja, se chegar um time com, por exemplo, €45 milhões, valor que o Real Madrid pagou por Vinícius Júnior (Flamengo) e Rodrygo (Santos), o clube carioca, em tese, pode direcionar o valor da penalidade ao Watford e ficar com €25 milhões. Algo difícil, não impossível.

Os valores a receber pelo Fluminense poderão alcançar €10 milhões com os "gatilhos", que envolvem gols, tempo em campo e número de jogos pela Premier League. Os tricolores também ficam com 10% do valor líquido da revenda. Se ele vale mesmo o que a torcida acha, as propostas provavelmente vão aparecer, afinal, o menino já extrapolou o universo dos observadores e está em enorme destaque na vitrine.

Ficha de João Pedro pela base, em destaque o primeiro jogo como centroavante: 14 a 0 com cinco gols dele

João Pedro era reserva até os 15 anos, nos times de base em Xerém. Vendê-lo foi uma saída de emergência depois que Pedro sofreu grave lesão, em agosto, o que inviabilizou sua negociação com o mercado europeu para oxigenar as finanças. O Fluminense corria risco de perder jogadores por atrasos salarias em meio a isso tudo. No momento em que o Watford acenou com os euros a serem pagos ainda em 2018, o clube estava asfixiado.

O garoto só se firmou como titular na base há menos de um ano, quando Marcelo Veiga, coordenador técnico, assumiu o time Sub-17 porque o treinador da equipe passara um período no Samorín, clube que o Fluminense mantinha na Eslováquia. Até então João Pedro era um um atacante que atuava no lado de campo. Promissor, mas jamais havia sido dono absoluto de posição. Portanto, estava distante da condição de grande promessa.

Só ganhou lugar entre os 11 em 26 de junho, no jogo contra o Goytacaz, pelo campeonato carioca, sua primeira aparição de saída como centroavante. Fez cinco gols na goleada do Fluminense por 14 a 0. Quando foi negociado, João Pedro tinha 31 gols em 2018 pelo time Sub-17. Enquanto esteve na base nunca foi convocado para a Seleção. A primeira chamada aconteceu em 2019 para o Sub-18. Terminou 2018 com 38 gols, 36 oficiais e dois em amistosos

Conta do Watford no Twitter celebra os gols de João Pedro sobre o Atlético Nacional

Até Veiga mudar sua posição, transformando-o em camisa 9, não se imaginava João Pedro alcançando os feitos que viriam. Foi artilheiro do carioca Sub-17 ano passado, bem distante de todos. Seguiu para a Copa BH e o time explodiu. Terminou como segundo maior goleador do certame, e outro jogador do Fluminense, Marcos Paulo, agora jogando ao seu lado entre os profissionais, foi o que mais gols marcou.

Foi naquela competição que o Watford o viu em ação. O Fluminense estava com quase três meses de salários atrasados e correndo sério risco de sofrer ações de jogadores na justiça, além de perder pontos no Brasileirão. Então decidiu vendê-lo. Um observador de jogadores jovens que trabalha para clube europeu disse ao blog que em sua avaliação o garoto amadureceu justamente neste período. Algo repentino.

"Ele jogou por muito tempo como camisa 10 e ponta na base. Quando passaram para centroavante ele começou a crescer muito. Acho que é questão de amadurecimento tardio, ganhou altura, corpo, com mais idade. Então veio essa confiança que todos estão vendo. Ele ganhou status em pouco tempo, não era um jogador que com 14, 15, 16 anos se destacava. Estourou mesmo na base há pouco tempo", resume.

João Pedro soma 10 jogos pelo time profissional, um como titular, fez sete gols e deu uma assistência. Depois de brilhar contra o campeão da Libertadores de 2016, foi festejado pelo Watford nas redes sociais. Mas o fato é que tudo acontece rapidamente na carreira do garoto. Sorte do Fluminense, que pode fazer mais do que se imaginava tendo-o no ataque. E do time inglês, claro.

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Sobre o autor

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Sobre o blog

Trazer comentários sobre futebol e informações, eventualmente em primeira mão, são os objetivos do blog. O jornalista pode "estar" comentarista, mas jamais deixará de ser repórter.

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